sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Orientação Vocacional/Profissional

Maria Luiza Junqueira é mestre em Psicologia pela FFCLRP-USP, possui graduação em Psicologia e em Serviço Social. Tem experiência na área de Psicologia Clínica com ênfase em psicoterapia de orientação psicanalítica e Orientação Vocacional/Profissional (individual e grupo). Segue abaixo entrevista concedida ao Espaço Psi sobre orientação vocacional/profissional:





Espaço Psi: Para iniciarmos, como você define a Orientação Profissional?
Maria Luiza: A Orientação Profissional ou Orientação Vocacional, como também é chamada, pode ser definida como um processo facilitador que auxilia o adolescente a escolher sua profissão ou ocupação. Tem por objetivo o desenvolvimento de atitudes e competências necessárias para o enfrentamento das tarefas vocacionais. O mais importante nesse processo é que o adolescente possa aprender a fazer escolhas. Maduras, conscientes e autônomas.

Espaço Psi: Existe diferença entre Orientação Vocacional e Orientação Profissional?
Maria Luiza: Frequentemente os termos são utilizados como sinônimos. Encontra-se ainda, na literatura da área, a utilização dos termos em conjunto – Orientação Vocacional/Profissional – por muitos profissionais. Mas, segundo Bohoslavsky, autor consagrado por sua colaboração na área da orientação, o termo vocacional responderia ao para que da escolha enquanto o termo profissional ao o que escolher fazer. Penso que o vocacional é o que dá sentido à profissão escolhida.

Espaço Psi: E o que seria uma escolha profissional madura, consciente e autônoma?
Maria Luiza: Uma escolha madura é sempre fruto de um processo de reflexão. Resulta da análise e integração de um conhecimento aprofundado de si e do conhecimento obtido sobre o universo socioprofissional e educativo, possibilitando integrar o percurso profissional numa atitude que faça sentido na vida. 

Espaço Psi: Muitas dúvidas, incertezas e angústias costumam acompanhar o adolescente no final do Ensino Médio sobre qual profissão seguir. Como a OP pode ajudar?
Maria Luiza: Este é um momento complexo. Sabemos que adolescência é uma etapa da vida marcada por profundas transformações na identidade dos indivíduos e que o jovem ainda não tem uma imagem consistente de si mesmo. Ele está passando por transformações de ordem física, psíquica e social enquanto lida com a construção de sua identidade adulta. O processo de orientação pode auxiliar na definição e compreensão da sua identidade pessoal e profissional, ajudando o adolescente a organizar o conhecimento que já tem de si e promover um aprofundamento desse autoconhecimento, questionando a relação dele com ele mesmo naquilo que lhe é desconhecido. Vai possibilitar ao jovem refletir sobre quem ele é, quem quer ser e como deseja viver, pois é dentro de um planejamento para a vida que se insere o projeto profissional de cada pessoa. Como diz Super, outro importante teórico da Psicologia Vocacional, enquanto “faz a vida”, as pessoas vivem uma vida.

Espaço Psi: Em que consiste, na prática, um trabalho de Orientação Vocacional/Profissional?
Maria Luiza: A Orientação Vocacional/Profissional pode ser feita em grupo ou individualmente. Inclui entrevistas clínicas, avaliação psicológica e o uso de diversas técnicas e atividades que visam não só diagnóstico, mas promover o desenvolvimento vocacional do orientando e a ativação da sua maturidade para a escolha da carreira. Implica uma postura ativa do orientando em atividades reflexivas e práticas que visam o autoconhecimento e o conhecimento da realidade. A clarificação de interesses, valores, aptidões, habilidades; a percepção de conflitos, ansiedades, influências, medos e expectativas quanto ao futuro, são partes essenciais do processo. Inclui ainda a busca de conhecimento sobre profissões e cursos, sobre o que se vai estudar, as universidades que oferecem o curso de interesse e análise das grades curriculares. Informações sobre o mercado de trabalho, campos de atuação e reflexões sobre o mundo do trabalho também fazem parte. Em suma, o processo consiste em conhecer, analisar e integrar os conhecimentos de si e da realidade.
                                                                                                       
Espaço Psi: E o famoso teste vocacional?
Maria Luiza: Aquele teste que “dá a profissão” que você nasceu pra fazer? Isto não existe, nenhum teste pode dizer qual a profissão ideal para uma pessoa. O que existe são instrumentos, ferramentas de trabalho que podem ser utilizados no contexto de um processo de orientação e ajudam a compor conhecimentos que podem sim ser de muita ajuda para quem procura pela orientação. É importante que o jovem saiba que não existe mágica, que os resultados obtidos em testes (ou outras atividades) devem ser integrados ao trabalho que está sendo desenvolvido, ao conhecimento que está sendo construído.
 O uso de instrumentos psicológicos válidos e precisos auxilia os orientadores na avaliação dos participantes e no planejamento das atividades. Entretanto, para fazer uso de qualquer instrumento de avaliação psicológica o orientador deve conhecer seus fundamentos teóricos e técnicos, compreender e aplicar a técnica com os devidos cuidados éticos.  Além disso, é extremamente necessário verificar se o teste a ser utilizado encontra-se entre os aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia. O resultado de uma avaliação psicológica deve estar sempre a serviço do orientando, ser-lhe útil, oferecer uma experiência de autoconhecimento.

Espaço Psi: É possível chegar ao fim do processo de orientação sem ter conseguido escolher a profissão?
Maria Luiza: Um adolescente pode sim finalizar um processo de Orientação Vocacional/Profissional sem definir ou especificar uma profissão, mas com certeza não estará no mesmo ponto de desenvolvimento pessoal e vocacional de quando o iniciou. Terá adquirido competências e atitudes que lhe permitirão continuar a lidar com a tarefa e ser capaz de fazer sua própria escolha no momento apropriado.   Nesse sentido, uma escolha madura é aquela possível para o momento. Dependendo da situação que o jovem se encontra em seu processo de desenvolvimento vocacional (que vai continuar ao longo da sua vida) pode ser mais adequado, por exemplo, escolher fazer um ano de cursinho e deixar amadurecer suas idéias do que iniciar qualquer curso só porque os amigos estão entrando na faculdade. Mesmo não apreciando frases feitas, lembro-me de ter ouvido ou lido em algum lugar que existem momentos na vida em que a direção é mais importante que a velocidade.





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