No próximo encontro "In Vino Veritas", que acontecerá dia 07 de abril, continuaremos nossas conversas sobre os Sete Pecados Capitais e o que há de humano em cada um deles. Convidamos Luciana Torrano, para uma conversa sobre Soberba.
Venha participar! A conversa começa por volta das 20h, mas você pode chegar a partir das 19h para se acomodar, curtir a coquetelaria e a carta de vinhos e cervejas.
"Os chamados sete pecados capitais foram sistematizados pelo Papa Gregório Magno no século VI e, séculos depois, incorporados de modo mais estável à doutrina cristã medieval. Com o objetivo de organizar a experiência humana em torno de uma pedagogia das paixões, orientando o sujeito no caminho da virtude.
Com o passar do tempo, esses conceitos ultrapassaram o campo estritamente teológico e passaram a habitar o imaginário cultural do Ocidente. Mesmo aqueles que não se reconhecem como religiosos continuam, de algum modo, atravessados por essa gramática moral que estrutura valores, relações familiares e formas de organização social.
O convite do In Vino Veritas para refletir sobre a soberba me levou a pensar justamente nesse ponto em que uma categoria moral encontra suas ressonâncias na psicanálise, na filosofia e na vida coletiva.
Em Totem e Tabu, Sigmund Freud propõe um mito de origem da cultura que ilumina essa questão. Ele imagina uma horda primitiva dominada por um pai absoluto, figura que concentra o poder e monopoliza o acesso às mulheres. Excluídos e submetidos, os filhos se unem para assassiná-lo. No entanto, após o parricídio, não surge a liberdade plena, mas a culpa. E é dessa culpa que nascem a lei, o interdito e a própria cultura.
A civilização, nesse sentido, funda-se sobre uma renúncia fundamental: a renúncia à fantasia de onipotência.
Será que podemos pensar a soberba justamente como a tentativa de retorno a essa onipotência perdida?
A soberba recusa o limite, e a lei simbólica que torna possível a vida em comunidade.
Quando essa recusa se radicaliza, ela pode assumir diversas formas históricas e subjetivas: o fanatismo, a arrogância, a ganância, a dominação e certas formas contemporâneas de narcisismo.
Partindo desse diálogo entre psicanálise, filosofia e sociologia, a proposta desta conversa é abrir algumas perguntas sobre a soberba: não apenas como um pecado descrito pela tradição religiosa, mas como uma disposição humana que atravessa épocas, instituições, sujeitos e produz sofrimento e sintomas.
A ideia é uma conversa aberta que instigue ao questionamento e a interação com o público!"
Por Luciana Marchetti Torrano – Paulistana radicada em Ribeirão Preto, mãe de três filhos, Pedro, Elena e Francisco.
Psicóloga graduada pela PUC-SP, Mestre e Doutora em Psicologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP Campus de Ribeirão Preto.
Atualmente é psicanalista Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), onde ministra seminários aos psicanalistas em formação. Atende adolescentes, adultos, casais e famílias.
Tem formação em Psicoterapia Sistêmica de Casal e Família pelo Instituto Familiae.
Amante da arte em especial de literatura, musica, dança e cinema.
Dedica-se à clínica e à transmissão da psicanálise e utiliza as matrizes psicanalíticas como ferramentas para pensar a complexidade do mundo contemporâneo.
Inscrições:
Horário e Local:
Segundo Andar Speakeasy
Av. Anhanguera, 1087 12º Andar - Alto da Boa Vista
Ribeirão Preto - SP - Brasil


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